Dossiê #12 – Territórios Inventados, Memórias em Performance
(Vol IV | Nº 04 | Set 2026)

Toda narrativa nasce nos lugares que habitamos, nos vínculos, nas ancestralidades e nos gestos compartilhados que nos permitem reconhecer a nós mesmos. Entre fotografias, arquivos, histórias coletivas e encenações do cotidiano, as escritas de si contemporâneas vêm deslocando o foco do indivíduo para experiências que emergem do encontro entre corpos, comunidades e tecnologias.

Este dossiê aborda formas híbridas de autorrepresentação, em que o documento convive com a fabulação e a memória dialoga com a invenção. Em diferentes contextos, o cinema aparece como um espaço capaz de produzir lugares onde imagens analógicas e digitais, tradições ancestrais e dispositivos contemporâneos se encontram para tensionar as formas convencionais da autobiografia.

Os conteúdos desta edição abordam a percepção de que narrar a si mesmo implica também inventar maneiras de compartilhar experiências com os outros. Entre performances, mockumentaries, fotografias e escritas coletivas, surgem narrativas que questionam as fronteiras entre intimidade e exposição, presença e representação.

Ensaio | Fotografia, cinema, ensaio – Uma análise de ‘A Festa e os Cães’
Por Sabrina Tenório Luna

Podcast | A câmera como (dispositivo de) acontecimento – Territórios em conflito e autoficções compartilhadas em ‘Rama Pankararu’
Com Bia Pankararu (PE) e Pedro Sodré (RJ) | Por Márcio Andrade

Vídeo-Ensaio | Autobiografar um outro – Mockautobiography e a fabulação de um sujeito
Por Márcio Andrade

 

Dossiê #11 – Vidas em Série, Personagens em Trânsito
(Vol IV | Nº 03 | Set 2026)

No gesto de narrar a si, a experiência se organiza em fragmentos, episódios e repetições, acompanhando os ritmos contraditórios da vida cotidiana. Nas narrativas seriadas, o sujeito não aparece como uma identidade estável, mas como uma construção contínua, atravessada por desvios e reinvenções que se acumulam ao longo do tempo.

Este dossiê reune reflexões sobre formas contemporâneas de autoficção que encontram na serialidade um espaço privilegiado de experimentação. Entre o humor e o trauma, a encenação e a intimidade, essas obras revelam como as fronteiras entre personagem e autor se tornam cada vez mais porosas.

Os conteúdos aqui reunidos abordam a percepção de que a escrita de si pode operar como processo aberto, marcado por hesitações e transformações constantes. Entre colagens de arquivo, personas televisivas e performances autobiográficas, o eu aparece menos como resposta do que como pergunta: uma figura em permanente construção, situada entre a experiência vivida e as ficções que criamos para continuar existindo.

Ensaio | Autoficção e Traumédia em I May Destroy You e Bebê Rena – Escrita do eu e elaboração traumática
Por João Pedro Pinho (RJ)

Podcast | Fantasmas que dançam – Colagens, fraturas e ritos de passagem na obra de Jay Rosenblatt
Com Jay Rosenblatt (EUA) | Por Márcio Andrade

Vídeo-Ensaio | Um eu em construção – Autoficção e performance em comédias televisivas
Por Márcio Andrade

 

Dossiê #10 – Máquinas Sensíveis, Arquivos em Disputa
(Vol IV | Nº 02 | Set 2026)

Vivemos cercados por imagens produzidas por aparelhos que registram o mundo em velocidade crescente. Câmeras automatizadas, plataformas digitais, bancos de dados e interfaces tornaram-se parte do cotidiano, deslocando as fronteiras entre memória e programação. Nesse cenário, a experiência subjetiva já não se constitui apenas diante das imagens, mas também no interior das tecnologias que as produzem.

Este dossiê pretende investigar as tensões entre invenção estética e mediação técnica. Das gambiarras que reinventam arquivos e devolvem histórias a seus territórios de origem às imagens capturadas por sistemas que parecem dispensar a presença humana, os conteúdos aqui apresentados interrogam os modos pelos quais os sujeitos negociam sua existência em meio às máquinas.

Entre vigilâncias e fabulações, rastros digitais e heranças coloniais, percebemos que as imagens técnicas nunca são apenas instrumentos de registro. Elas constituem formas de imaginação, organizam experiências e produzem novas possibilidades de narrar a si mesmo em um mundo atravessado por dispositivos.

Ensaio | Câmeras-gambiarras como estratégia de rematriação de narrativas em ‘Certidão de Aborto’ e ‘Madeira de Lei’
Por Kalor Pacheco (PE)

Podcast | Memórias em disputa – As fronteiras entre o íntimo e o político em ‘Fico Te Devendo uma Carta Sobre o Brasil’
Com Carol Benjamin (RJ) | Por Márcio Andrade

Vídeo-Ensaio | Olho sem corpo – Vigilâncias e singularidades em atrito com imagens técnicas
Por Márcio Andrade

 

Dossiê #09 – Espelhos do Mundo, Exercícios do Imaginar
(Vol IV | Nº 01 | Set 2026)

Entre arquivos esquecidos, fotografias herdadas e filmes revisitados, as imagens constroem modos de olhar que reorganizam a memória coletiva. Se as escritas de si costumam ser associadas à intimidade e ao testemunho, elas também podem surgir nos modos como um sujeito se relaciona com as imagens que o antecedem, com os repertórios que o formaram e com as narrativas que deseja transformar.

Este dossiê investiga o cinema como espaço de reflexão sobre si e sobre as mediações que organizam nossa relação com o passado. Entre a autobiografia e a crítica, entre o trauma e a cinefilia, os contéudos aqui apresentados compreendem a imagem como um território de disputas, em que experiências individuais se cruzam com imaginários sociais, arquivos institucionais e histórias compartilhadas.

Aqui, imaginar a si mesmo exige negociar continuamente com outras imagens: aquelas herdadas da família, produzidas pela mídia, preservadas nos arquivos ou transformadas pela montagem. Entre documentos e fabulações, o ensaio surge como uma forma de investigar não apenas aquilo que vemos, mas os modos pelos quais aprendemos a ver.

Ensaio | 17 epitáfios para sobreviver
Por Felipe André Silva (PE)

Podcast | Das imagens aos imaginários – Mídia, arquivo e montagem em ‘A edição do Nordeste’
Com Pedro Fiuza (RN) | Por Márcio Andrade

Vídeo-Ensaio | Imagens para imaginar(-se) – Refrações de um cinema que se espelha
Por Márcio Andrade

Dossiê #08 – Cartografias do Invisível, Intersecções do Imaginário
(Vol III | Nº 04 | Dez 2025)

Há experiências que habitam zonas de sombra, atravessam arquivos incompletos, mapas imprecisos, itinerários fragmentados, compondo presenças que só se anunciam a partir do desvio. Este dossiê se constrói a partir dessas experiências em territórios de instabilidade, reunindo trabalhos que operam com o invisível como campo para ativar possibilidades de invenção.

Os conteúdos aqui reunidos investigam modos de cartografar afetos em trânsito, fantasmas inscritos nos arquivos, territórios percebidos mais pelo corpo do que pela geografia, imagens que devolvem o olhar e desenraizam as certezas. Diários de deslocamento, cartas fílmicas, práticas cartográficas experimentais, fabulações documentais e operações com o espectral compõem um conjunto em que o imaginário se mostra uma operação que torna o real ainda mais poroso e impalpável.

Entre mapa e deriva, este dossiê propõe outras formas de cartografar o invisível, aceitar as incompletudes e reconhecer que toda imagem e todo território carregam mais do que mostram.

Sumário
Ensaio | De Portinari em Portinari – Cartografias espartivas e trocadilhos arteiros
Por Flávio CRO

Ensaio | Operar com fantasmas – Escritas de si e processos de criação entre documento e ficção
Por Priscila de Assis Lopes de Andrade

Podcast | Endereçar uma imagem – Ou a carta fílmica como gesto de encontro com o outro
Com Rúbia Mércia (CE) | Por Márcio Andrade

Podcast | O filme que nos olha – Do imaginar corpos, memórias e arquivos possíveis em A garota mais bonita
Com Virna Paz (CE) | Por Márcio Andrade

Video-Ensaio | Diários de um trânsito em O durião proibido
Por Márcio Andrade

Dossiê #07 – Encruzilhar Heranças ou Deslocar Rupturas
(Vol III | Nº 03 | Dez 2025)

Toda narrativa de si carrega uma tensão entre aquilo que se herda e aquilo que se recusa. Há lembranças transmitidas como raízes profundas impregnadas de rastros de quem fomos, assim  como também ecoam silêncios e fraturas que exigem olhares que deslocam e reinventam o trauma. Entre heranças que insistem e rupturas que se impõem, o sujeito se move num terreno movediço de continuidades interrompidas e pactos reconfigurados.

Este dossiê reúne trabalhos que se debruçam sobre esse entrelugar: experiências em que o passado não aparece como origem fixa, mas como campo de disputa. As heranças aqui não são apenas familiares ou culturais, mas também estéticas, políticas e espirituais. Ao mesmo tempo, as rupturas não se apresentam como negação total, mas como gestos de confrontar arquivos, revisitar ritos, fabular pertencimentos e expor as fissuras que atravessam qualquer identidade.

Entre continuidades e cortes, esse conjunto de imagens e textos aponta que existir é encruzilhar conflitos: fazer do legado matéria viva e do rompimento uma possibilidade de criação.

Sumário
Ensaio | Vênus de Marte – Rockstar – Autoficção e TRANSmídia na Arte Queer
Por Gisele Rypchinski Martins/Vênus de Marte

Ensaio | Corredor do Mundo Inteiro – Produção audiovisual como artefato de memória da Jurema Sagrada
Por Henrique Falcão Nunes de Lima

Podcast | Rascunho em Primeira Pessoa – Autoria, Quadrinhos e Cinema em Memórias de um Esclerosado
Com Rafael Corrêa (RS) | Por Márcio Andrade

Podcast | Do íntimo ao público – Curadoria, recepção e política das imagens de si
Com Carla Italiano (MG) | Por Márcio Andrade

Video-Ensaio | Sonho em Ruínas – Ou escrever cartas ao invisível
Por Márcio Andrade

 

Dossiê #06 – Corpas que Sonham, Desejos em Confronto
(Vol III | Nº 02 | Dez 2025)

Os corpos são nossos primeiros territórios de desejo e confronto, lugares em que alianças se formam e, muitas vezes, feridas se inscrevem. Na superfície desses corpos, repetimos gestos que herdamos e tentamos deslocar aquilo que não desejamos. Corpas reais, inventadas, dissidentes ou fabuladas tornam-se matéria em reinvenção e, muitas vezes, um ambiente em que o si pode se fraturar e, ao mesmo tempo, descobrir novas formas de se afirmar.

Neste dossiê, reunimos reflexões que tomam o corpo como origem e também como campo de conflito: superfícies em que identidades são moldadas, rasuradas, performadas e reinventadas. O que atravessa todos os conteúdos aqui reunidos é a percepção de que narrar a si mesmo é encarar as forças que nos constituem: as memórias que retornam, os prazeres que tensionam, as normas que tentam nos capturar, os ritos que nos transformam e as disputas que nos atravessam.

Entre o sonho e a carne, esse conjunto de ideias mostra que cada corpo é também arquivo, rito e batalha e que improvisar outras formas de existir é sempre um gesto de confronto.

Sumário
Ensaio | Menina – paisagens de uma carta-sonho em movimento
Por Paula Louise Fernandes Silva

Ensaio | Goze Junte – Testemunho íntimo nas pornografias amadoras
Por Julia Dias Alimonda

Podcast | Respirar o mesmo gás – Por trás da linha de escudos e as reflexividades em disputa
Com Marcelo Pedroso (PE) | Por Márcio Andrade

Podcast | Do imprevisível como método – Nas entrelinhas da autoria em Nada sobre meu pai e Fernanda Young – Foge-me ao controle
Com Susanna Lira (RJ) | Por Márcio Andrade

Video-Ensaio | Sonhar o rito em Quando a noite ainda não existia
Por Márcio Andrade

 

 

 

Dossiê #05 – Do Familiar em Retrato às Derivas no Mundo

(Vol III | Nº 01 | Dez 2025)

A casa é o nosso primeiro horizonte com o mundo, mostrando-se território de alianças em construção e de afetos feridos. Nas paredes de um lar, repetimos os gestos que herdamos e tentamos deslocar aquilo que não desejamos. As famílias reais, inventadas, escolhidas ou fabuladas podem se tornar matéria em reinvenção, um lugar em que o si pode se negar e, ao mesmo tempo, encontrar modos de se afirmar.

Neste dossiê, reunimos trabalhos que tomam a casa e a família como lugares de origem e também de conflito, espaços onde identidades são moldadas, rasuradas e reinventadas. O que atravessa todos os conteúdos aqui reunidos é a percepção de que narrar a si mesmo implica encarar as forças que nos constituem: as linhagens que herdamos, as violências que nos atravessam, os arquivos que nos cercam e as diásporas que nos movem.

Sumário
Ensaio | O Autorretrato da Garotinha Moleque Macho
Por Ianca Santos de Oliveira (BA)

Podcast | Do familiar ao obsceno – Alfabeto Sexual entre a autoficção e imagem pornográfica
Com André Medeiros Martins (SP) | Por Márcio Andrade

Ensaio | “Eu sou Atlântica” – Mulheres negras dissidentes e suas fabulações nos Cinemas Negros Queer
Por Thaís Vieira Costa (SP)

Podcast | Uma casa, um mundo – Berliner, McElwee e Mekas e um olhar micro-histórico sobre o documentário autobiográfico
Com Efrén Cuevas (Espanha) | Por Márcio Andrade

Vídeo-Ensaio | O mar e a matéria do tempo em Guaxuma
Por Márcio Andrade