Dossiê #08 – Cartografias do Invisível, Intersecções do Imaginário
(Vol III | Nº 04 | Dez 2025)

Há experiências que habitam zonas de sombra, atravessam arquivos incompletos, mapas imprecisos, itinerários fragmentados, compondo presenças que só se anunciam a partir do desvio. Este dossiê se constrói a partir dessas experiências em territórios de instabilidade, reunindo trabalhos que operam com o invisível como campo ativo para operar com a invenção.

Os conteúdos aqui reunidos investigam modos de cartografar afetos em trânsito, fantasmas inscritos nos arquivos, territórios percebidos mais pelo corpo do que pela geografia, imagens que devolvem o olhar e desenraizam certezas. Diários de deslocamento, cartas fílmicas, práticas cartográficas experimentais, fabulações documentais e operações com o espectral compõem um conjunto em que o imaginário se mostra uma operação que torna o real ainda mais poroso e impalpável.

Entre documento e ficção, mapa e deriva, memória e fabulação, este dossiê propõe outras formas de cartografar o invisível, aceitar as incompletudes e reconhecer que toda imagem e todo território carregam mais do que mostram.

Sumário
Ensaio | De Portinari em Portinari – Cartografias espartivas e trocadilhos arteiros
Por Flávio CRO

Ensaio | Operar com fantasmas – Escritas de si e processos de criação entre documento e ficção
Por Priscila de Assis Lopes de Andrade

Podcast | Endereçar uma imagem – Ou a carta fílmica como gesto de encontro com o outro
Com Rúbia Mércia (CE) | Por Márcio Andrade

Podcast | O filme que nos olha – Do imaginar corpos, memórias e arquivos possíveis em A garota mais bonita
Com Virna Paz (CE) | Por Márcio Andrade

Video-Ensaio | Diários de um trânsito em O durião proibido
Por Márcio Andrade

 

Dossiê #07 – Encruzilhar Heranças ou Deslocar Rupturas
(Vol III | Nº 03 | Dez 2025)

Toda narrativa de si carrega uma tensão entre aquilo que se herda e aquilo que se recusa. Há lembranças transmitidas como raízes profundas impregnadas de rastros de quem fomos, assim  como também ecoam silêncios e fraturas que exigem olhares que deslocam e reinventam o trauma. Entre heranças que insistem e rupturas que se impõem, o sujeito se move num terreno movediço de continuidades interrompidas e pactos reconfigurados.

Este dossiê reúne trabalhos que se debruçam sobre esse entrelugar: experiências em que o passado não aparece como origem fixa, mas como campo de disputa. As heranças aqui não são apenas familiares ou culturais, mas também estéticas, políticas e espirituais. Ao mesmo tempo, as rupturas não se apresentam como negação total, mas como gestos de confrontar arquivos, revisitar ritos, fabular pertencimentos e expor as fissuras que atravessam qualquer identidade.

Entre continuidades e cortes, esse conjunto de imagens e textos aponta que existir é encruzilhar conflitos: fazer do legado matéria viva e do rompimento uma possibilidade de criação.

Sumário
Ensaio | Vênus de Marte – Rockstar – Autoficção e TRANSmídia na Arte Queer
Por Gisele Rypchinski Martins/Vênus de Marte

Ensaio | Corredor do Mundo Inteiro – Produção audiovisual como artefato de memória da Jurema Sagrada
Por Henrique Falcão Nunes de Lima

Podcast | Rascunho em Primeira Pessoa – Autoria, Quadrinhos e Cinema em Memórias de um Esclerosado
Com Rafael Corrêa (RS) | Por Márcio Andrade

Podcast | Do íntimo ao público – Curadoria, recepção e política das imagens de si
Com Carla Italiano (MG) | Por Márcio Andrade

Video-Ensaio | Sonho em Ruínas – Ou escrever cartas ao invisível
Por Márcio Andrade

 

Dossiê #06 – Corpas que Sonham, Desejos em Confronto
(Vol III | Nº 02 | Dez 2025)

Os corpos são nossos primeiros territórios de desejo e confronto, lugares em que alianças se formam e, muitas vezes, feridas se inscrevem. Na superfície desses corpos, repetimos gestos que herdamos e tentamos deslocar aquilo que não desejamos. Corpas reais, inventadas, dissidentes ou fabuladas tornam-se matéria em reinvenção e, muitas vezes, um ambiente em que o si pode se fraturar e, ao mesmo tempo, descobrir novas formas de se afirmar.

Neste dossiê, reunimos reflexões que tomam o corpo como origem e também como campo de conflito: superfícies em que identidades são moldadas, rasuradas, performadas e reinventadas. O que atravessa todos os conteúdos aqui reunidos é a percepção de que narrar a si mesmo é encarar as forças que nos constituem: as memórias que retornam, os prazeres que tensionam, as normas que tentam nos capturar, os ritos que nos transformam e as disputas que nos atravessam.

Entre o sonho e a carne, esse conjunto de ideias mostra que cada corpo é também arquivo, rito e batalha e que improvisar outras formas de existir é sempre um gesto de confronto.

Sumário
Ensaio | Menina – paisagens de uma carta-sonho em movimento
Por Paula Louise Fernandes Silva

Ensaio | Goze Junte – Testemunho íntimo nas pornografias amadoras
Por Julia Dias Alimonda

Podcast | Respirar o mesmo gás – Por trás da linha de escudos e as reflexividades em disputa
Com Marcelo Pedroso (PE) | Por Márcio Andrade

Podcast | Do imprevisível como método – Nas entrelinhas da autoria em Nada sobre meu pai e Fernanda Young – Foge-me ao controle
Com Susanna Lira (RJ) | Por Márcio Andrade

Video-Ensaio | Sonhar o rito em Quando a noite ainda não existia
Por Márcio Andrade

 

 

 

Dossiê #05 – Do Familiar em Retrato às Derivas no Mundo

(Vol III | Nº 01 | Dez 2025)

A casa é o nosso primeiro horizonte com o mundo, mostrando-se território de alianças em construção e de afetos feridos. Nas paredes de um lar, repetimos os gestos que herdamos e tentamos deslocar aquilo que não desejamos. As famílias reais, inventadas, escolhidas ou fabulada s podem se tornar matéria em reinvenção, um lugar em que o si pode se negar e, ao mesmo tempo, encontrar modos de se afirmar.

Neste dossiê, reunimos trabalhos que tomam a casa e a família como lugares de origem e também de conflito, espaços onde identidades são moldadas, rasuradas e reinventadas. O que atravessa todos os conteúdos aqui reunidos é a percepção de que narrar a si mesmo implica encarar as forças que nos constituem: as linhagens que herdamos, as violências que nos atravessam, os arquivos que nos cercam e as diásporas que nos movem.

Sumário
Ensaio | O Autorretrato da Garotinha Moleque Macho
Por Ianca Santos de Oliveira (BA)

Podcast | Do familiar ao obsceno – Alfabeto Sexual entre a autoficção e imagem pornográfica
Com André Medeiros Martins (SP) | Por Márcio Andrade

Ensaio | “Eu sou Atlântica” – Mulheres negras dissidentes e suas fabulações nos Cinemas Negros Queer
Por Thaís Vieira Costa (SP)

Podcast | Uma casa, um mundo – Berliner, McElwee e Mekas e um olhar micro-histórico sobre o documentário autobiográfico
Com Efrén Cuevas (Espanha) | Por Márcio Andrade

Vídeo-Ensaio | O mar e a matéria do tempo em Guaxuma
Por Márcio Andrade